Por vezes, essas figuras um pouco tímidas, feitas de um silêncio algo lunar, são afinal os parentes mais próximos do sol. Interrompida a sua quietude estão como lucipontentes, imensidões radiais que nos mostram como os astros se movem também pelo interior dos peitos. Nem vos posso dizer da alegria de passar perto do trabalho do André e sua multidão de Turquesa. Teatral, bravo perante o risco, absolutamente improvável, o que ele faz é da ordem da maravilha. Uma lição de maturidade, de amplitude de recursos e referências, uma celebração do gigante que pode ser uma canção. O André já não toca guitarra, toca o múltiplo de uma guitarra, um instrumento superlativo que se torna uma espécie de infinito. Julgo que é o que aqui está em causa, uma deslumbrante espécie de infinito.

Valter Hugo Mãe 2020